O mundo mágico de seres humanos

2011 foi um ano intenso, em que nada deu certo pela primeira vez.

“Persistência” e “disciplina” foram as únicas capazes de superar as dificuldades.

Mas também foi um ano incrível e inesquecível…

Foi o ano em que completei 10 anos como Engenheira formada e em que meu doutorado na Unicamp me levou por cantos escuros e antes inexplorados dentro desta universidade, fazendo eu extrapolar os muros da engenharia e adentrar no mundo das artes.

Neste ano, saí do mundo da animação por computador e fui conhecer a animação tradicional, feita com lápis
e papel e muita paciência e capricho.

O destino me levou a conhecer, numa sexta-feira à noite, o Prof. Wilson Lazaretti, o Wal, personalidade incrivelmente gentil e um
dos fundadores do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas (NCA).

No momento em que eu achei que tudo estava perdido, o Prof. Wal me presenteou com uma conversa interessantíssima e uma enorme
disposição em ajudar uma desconhecida. Um dos pontos altos daquela noite foi conhecer uma máquina de rotoscopia, num canto escuro do
LIS (Laboratório de Imagem e do Som) na Unicamp. Quando me pus diante daquela máquina tão antiga, a primeira TECNOLOGIA utilizada pelos artistas de animação, eu sabia que aquilo era um sinal! Um sinal de que, apesar das dificuldades, eu deveria persistir e perseguir meu sonho…

A partir desta conversa, eu pude entrar no Instituto de Artes da Unicamp e oferecer lá dentro uma palestra de “Captura de Movimento para Atores”. Esta palestra me ensinou que se eu quisesse a colaboração de pessoas fora da minha área, sempre tão fria e técnica, eu teria que criar uma ponte que antes não existia e eu também teria que me transformar.

Ao entrar no IA eu pude lamentar que a Unicamp pareça dar tão pouco valor aos seus artistas. O chamado “barracão” lugar onde eles têm suas aulas e fazem suas apresentações, é um lugar quente, escuro e feio. Duro contraste com os largos corredores bem iluminados e com ar condicionado da Eng. Elétrica. Existe a esperança que o teatro em construção resolva este problema.

Pude ver que eles estudam muito, num curso mais puxado que o de engenharia se considerarmos que eles têm 4 anos de curso repletos de aula das 8 às 18h, sem períodos vagos. .

Do IA, saí com 6 incríveis atores que me ajudaram incrivelmente no trabalho de captura de movimento no CTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer). Outros ventos me trouxeram mais 4 atores. Todos fantasticamente dispostos a colaborar.

Foi então que também tive que interagir com a equipe da Rádio e Televisão Unicamp (RTV). Aí encontrei um ambiente bem humorado, de bons profissionais que fizeram tudo o que estava ao alcance deles para ajudar.

Depois de todo o esforço, eu não desisti, mas sem a ajuda dos outros, eu não teria realizado nada.

Num dos poucos momentos de relaxamento neste ano, eu assisti ao documentário sobre a Disney: “O Despertar da Bela Adormecida” (Waking Sleeping Beauty). Com cenas dos bastidores, o documentário relata momentos de crise e a grande recuperação que ocorreu na década de 1984 a 1994.

Este documentário acabou sendo para mim fonte de revelações e de inspiração.
Um dos pontos mais interessantes do documentário é o momento que um dos diretores de criação propõe
que o caranguejo Sebastião de “A Pequena Sereia” (1989), cante algo no estilo jamaicano, com todos os peixes à sua volta formando uma orquestra. Coincidência doida da vida ou não, “A Pequena Sereia” foi um filme que eu assisti com 12 anos de idade, num pequeno cinema na Alemanha, sem saber nada da língua alemã. Nem por isso deixou de ser simplesmente MÁGICO. Cores, música, história, o brilho do olhar da Ariel,
tudo era fantástico.

O filme também fala de “O Rei Leão” e como inicialmente o filme era um projeto desacreditado dentro da Disney.
Também assisti “O Rei Leão” no cinema  (na sua exibição original e não a recente, em 3D) e não consigo descrever em palavras a emoção que senti nos primeiros minutos de filme com aquela visão da savana africana e as lágrimas que caíram dos meus olhos no momento em que o Simba é erguido e apresentado a todo o reino animal.

Minha emoção hoje se dá por saber que SERES HUMANOS fizeram estes trabalhos.
Um conjunto de seres humanos, que amam o que fazem, que perderam muitas horas de sono e anos de trabalho,
que entraram em muitos conflitos, que compararam seus egos e brigaram por créditos.
Seres humanos que fazem tantas coisas desprezíveis mas que também são capazes de gerar coisas incríveis.

Artistas que sabem nos tocar e nos inspirar.

É por isso que neste Natal eu renovo minhas esperanças…

Renovo minhas esperanças na realização de grandes feitos e num país melhor.

Em particular, sonho com um país melhor para nossas crianças.

Que elas possam ser curiosas, que elas tenham suas curiosidades instigadas e respondidas. E que elas possam ter um mundo mágico particular com num desenho animado.

Sonho  sim, com a consciência que apenas a partir do trabalho persistente e disciplinado é que este sonho pode se tornar realidade.

Juntos somos capazes de operar milagres.

Um Feliz Natal a todos!
E que venha 2012!!!

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