“Resoluções para 2012” ou “Seja sábio: Aprenda com o erro dos outros”

Em outubro passado me vi numa situação na qual só mesmo minhas 33 primaveras e vários perrengues já sofridos justificaram a calma demonstrada.

Faltando 10 minutos para eu apresentar uma palestra importante para uma platéia hostil, resolvi ligar meu notebook enquanto o apresentador anterior finalizava sua apresentação. Eis que surge aquela tela toda preta com pequenas letras no estilo DOS dizendo “HDD Failure. Unable to Initialize” ou, em bom português: F#D@U!

Enquanto eu calmamente procurava na minha mochila o CD do Linux, ia tentando lembrar cada um dos 30 slides que eu havia preparado há uma semana e me recriminando por ter relaxado “só daquela vez” e não ter copiado a apresentação para o pendrive.

Enquanto eu me dava conta de que havia esquecido de devolver o CD para a mochila depois da última arrumação, pensava em como eu ia entreter a platéia, ou se por um acaso haveria uma conexão de Internet por ali.

Enquanto o apresentador terminava sua palestra, eu vasculhava minha mochila em busca de uma chave de fenda (sim, eu ia abrir o laptop ali mesmo!) e, quando não a encontrei, fiz o que qualquer um faria: comecei a chacoalhar (da maneira mais discreta possível) o notebook de um lado para o outro, enquanto rezava para que aquilo funcionasse.

Quarenta minutos depois, suada e exaurida por ter gesticulado, gritado, e usado toda a minha capacidade cognitiva para desenhar gráficos e lembrar dados da apresentação, voltei para casa cabisbaixa.

Como, como aquilo poderia ter acontecido?

Eu só tinha certeza de uma coisa: aquilo não ficaria assim! Eu jamais perderia meus dados, minhas fotos e minhas músicas que não estavam no backup de uns 8 meses atrás.

Eu tinha fé: o Linux me salvaria!

O problema é que desta vez o problema parecia sério mesmo e vários blocos do HD, alguns aparentemente importantes, estavam danificados.

Por que isto acontece? Bom, temos máquinas bastante confiáveis hoje em dia mas não devemos esquecer que o disco rígido utilizado na maioria das máquinas até hoje é um conjunto de componentes magnéticos, eletrônicos e mecânicos (argh!).

Digamos que para um laptop de aproximadamente 3 anos, constantemente carregado para cima e para baixo, colocado e tirado da mochila umas 3 vezes por dia e jogado no carro quando uma mãe desesperada corria para buscar as filhas, estava mesmo com uma alta probabilidade de apresentar problemas.

Meu marido primeiramente sugeriu que eu fosse até o site do fabricante e fizesse o download de algum aplicativo de diagnóstico do meu modelo de HD.  Enquanto eu já apresentava sintomas de sindrome de abstinência, resolvi ir para o meu velho desktop acessar a Internet. De fato, havia sim um aplicativo de diagnóstico, que gravei num CD para que fosse possível fazer o boot com ele.

Após uma madrugada rodando o bendito aplicativo, a única mensagem que ele se dignou a me retornar foi: problemas sérios no HD, impossível continuar…

Descobri então o comando badblocks que pode ser executado a partir do Terminal. Se você é usuário de Windows, basta queimar um CD de Linux e você também terá acesso a este comando.

Além de realizar um diagnóstico do disco, a saída deste comando pode também ser utilizada como entrada do comando e2fsck. Veja link no Wikipedia sobre este comando.

Resumindo, o aplicativo badblocks varreu meu disco identificando os blocos ruins do HD, enquanto o comando e2fsck utilizou a saída deste comando para mover estes blocos de lugar (11/09/2012 – Na realidade como apontado num dos comentários abaixo, os blocos não são movidos de lugar mas são apontados no sistema como blocos ruins, que não devem ser considerados…).

E foi assim que meu HD voltou à vida.

Não precisei reinstalar nada, e tudo funciona normalmente, não percebi nenhuma perda de dados. Obviamente, o HD já não é mais confiável, mas foi o suficiente para eu ter tempo de decidir, sem parar de trabalhar, se substituiria apenas o HD ou o laptop e, principalmente, realizar o backup que faltava.

Foi por causa deste episódio que eu torno pública aqui minha lista de resoluções para o ano de 2012. Se você for sábio, garanto que irá aprender com os meus erros.

  1. Realizar backup dos dados  quinzenalmente (o HD externo portátil, necessário para cumprir a promessa, foi meu presente de Natal para mim);
  2. não tirar da mochila o kit de sobrevivência: CD do Linux, canivete e uma chave de fenda/estrela para notebook, HD externo, pendrives;
  3. ter um repositório “na nuvem”  para apresentações e documentos importantes em construção (alguém sugere algum?);
  4. começar a guardar as “tralhas” com pelo menos 5 minutos de antecedência do horário de saída, ser carinhosa com o “noute’;
  5. desligar o computador sempre que possível, não deixar ele dormir ligado se não for absolutamente necessário.
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4 ideias sobre ““Resoluções para 2012” ou “Seja sábio: Aprenda com o erro dos outros”

  1. Fernando Luz

    Tenso hein… Mas só acontecendo isso pra se precaver.

    Eu uso o dropbox para deixar o essencial na nuvem.

    Feliz ano novo…

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    1. xaoquadrado Autor do post

      O dropbox é realmente uma das opções mais interessantes. Tem suporte para o Ubuntu, criando uma pasta compartilhada na máquina que torna a transferência para o repositório bem prática.

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  2. Benhur Possatto (@benhur_)

    “(…)o comando e2fsck utilizou a saída deste comando para mover estes blocos de lugar.” O que ele faz é marcar os badblocks como inutilizáveis. Mas quando isso começa acontecer, o melhor é fazer um backup e esperar pelo click da morte, pois os HDD’s de hoje, diferentemente dos velhos winchesters – do velho vale do silício no oeste selvagem – fazem sua lista de badblocks automaticamente.

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