2012: o ano em que o mundo não acabou. Será?

2012 será lembrado por muitos como o ano em que sobrevivemos ao fim do mundo.

Não me recordo de um assunto ter sido tão antecipado e tão explorado pela mídia como esse. Em meados de 2011 já haviam pessoas comentando sobre o assunto e tivemos todo um ano de documentários sobre os Maias e uma enorme quantidade de tempo e espaço de noticiários tratando do profético 21/12/2012. Realmente o ser humano nunca deixará de me surpreender…

Fico feliz que o nosso planeta Terra esteja à salvo temporariamente, mas não consigo evitar a sensação de que em 2012 tivemos demonstrações claras de que o mundo como o conhecemos está mesmo condenado.

  • Em abril de 2012 foi lançado o Coursera, site que disponibiliza cursos técnicos das melhores universidades americanas de maneira gratuita, com vídeos e acompanhamento de seus professores, numa plataforma que tem disponibilizado tais cursos para milhares de estudantes no mundo todo. O Coursera não foi o primeiro lugar na Internet em que universidades americanas disponibilizaram de maneira aberta o conteúdo de suas aulas. Muito antes disso, o  MIT, com o MIT OpenCourseWare, e mais recentemente, a escola de engenharia de Stanford pelo  site Stanford Engineering Everywhere, também abriram suas portas de maneira virtual para teoricamente qualquer aluno do mundo entrar. Mas apesar da Coursera ser uma empresa, o que significa que algum momento ela desejará obter lucro, acredito que este site tenha quebrado alguns paradigmas e mostrado ao mundo um novo futuro. Um futuro onde qualquer brasileirinho, por exemplo, que se vire no inglês (ou não), possa fazer cursos de altíssima qualidade sem sair de casa e o mais importante, tudo indica que em breve eles implementarão um sistema  de créditos que será reconhecido mundialmente. Uniformização e popularização do conhecimento estarão presentes no novo mundo.
  • Em 2o12 usei intensivamente o Facebook e foi lá que tive novos sinais do fim deste mundo que conhecemos. No Facebook visualizei o mundo onde o “mistério da vida das pessoas comuns” deixa de existir. Há vários anos que eu não encontro pessoalmente alguns dos meus amigos que estão conectados a mim no Facebook, no entanto, a partir dele voltei a fazer parte do cotidiano deles e pude saber, por exemplo, quando e onde eles estavam, o que eles tinham feito no final de semana, o que eles estavam comendo naquele exato momento.  Acompanhei cada oscilação de humor de uma colega durante o seu divórcio narrado nos mínimos detalhes, incluindo os mais sórdidos. Vi manifestações racistas, religiosas, anti-religiosas, jogadores viciados, pessoas solitárias, expressões de momentos de felicidade, o nascimento de várias crianças, descobri que alguns tem tempo demais sobrando, fui alvo de várias campanhas de marketing e também fiz propaganda. Enfim, vi um universo onde o termo “privacidade” parece ter adquirido uma importância diferente ou teve seu significado alterado. Nem passa pela minha cabeça emitir qualquer parecer a respeito deste fenômeno ser bom ou ruim. Só me sinto à vontade para afirmar que estamos num novo mundo onde a privacidade se tornou um bem raro e difícil de ser mantido e precisamos aprender a viver nele. Afinal ninguém está imune, por exemplo, de alguém tirar uma foto do seu filho numa festinha na escola e  compartilhá-la na Internet. Ou de alguém colocar um “tag” com o seu nome numa foto do churrasco no final de semana.
  • Finalizamos 2012 com as notícias de protestos na Índia contra a violência sistemática contra as mulheres.  Foi neste ano também as imagens do aborto forçado de Feng Jianmei na China, como prática do controle de natalidade chinês, chocaram o mundo. Este é o novo mundo onde as atrocidades humanas ficarão cada vez mais à mostra e não poderemos mais “simplesmente fingir que elas não existem”.
  • Também em 2012 vi a “computação na ponta dos dedos das crianças”. Pegue um grupo de crianças agitadas, correndo e gritando alucinadamente numa sala e coloque um tablet no meio da sala. Em poucos minutos todos estarão sentados ao redor olhando e tocando a “tela mágica”. Surge então um novo mundo de crianças que podem criar desenhos em alta definição antes mesmo de aprender a falar. Podem exercitar a coordenação  motora, navegar pelo globo terrestre, brincar com a matemática, as ciências e a linguagem, serem expostas a uma língua estrangeira e entrarem em contato com uma série de conceitos abstratos antes de terminarem sua primeira infância.

child_tablet

Sim, o mundo como o conhecíamos há um ano atrás acabou.

E outro mundo vem surgindo freneticamente.

E que venha 2013!

Sem ameaças, com tudo de melhor que ele pode nos reservar e com ânsia de aprender!

Para o alto e avante!

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