É hora de voltar para casa

Na última semana, o Brasil foi tomado por manifestações que foram iniciadas por um pequeno grupo que reinvidicava a redução das tarifas de ônibus, além da remodelagem do sistema de transporte público coletivo. Um polícia desacostumada e despreparada para lidar com manifestações públicas, unida à uma cobertura parcial da mídia e da imprensa, fizeram com que muitos brasileiros descobrissem que tinham pernas e voz (e alguns braços fortes) e saíssem às ruas para mostrarem, a quem interessar possa, que este não é mais o país onde não se discute política, futebol e religião.

Pois bem, neste novo país, eu mais uma vez defendo minha opinião publicamente: é hora de voltarmos para as nossas casas e cessarmos as manifestações.

A democracia é exercida por meio de ferramentas, dentre as quais destaco:

  • as eleições, que permite a saudável alternância de ideias e políticas públicas;
  • as sociedades civis organizadas que defendem os interesses específicos de um grupo;
  • a imprensa livre (não apenas da influência do Estado, mas também de interesses privados);
  • e, finalmente, as manifestações populares.

O Brasil é uma democracia jovem, contada em décadas, e não em séculos.

Portanto, é natural que ainda não saibamos exercer o perfeito uso destas ferramentas.

Portanto, neste momento de confusão, ouso destacar três pontos principais sobre as manifestações populares:

  • as manifestações podem, ou devem, ocorrer sempre que as opções de diálogo tiverem sido esgotadas;
  • uma manifestação popular deve ser realizada para reinvindicar uma pauta que seja possível de ser atendida de maneira imediata (algo específico, mensurável e factível);
  • causar transtorno e desconforto é uma característica inerente de qualquer manifestação popular (qualquer um que valorize a democracia, deve entender isso de uma vez por todas…).

A reinvindicação da revogação do aumento das passagens em São Paulo é um ótimo exemplo de reinvindicação específica, mensurável e possível de ser obtida de maneira imediata. A reinvindicação era tão pertinente, que ressonou em diversas cidades brasileiras e já foi atendida em mais de 60 cidades. Vitória linda! Para entrar nos livros de recordação da evolução da democracia brasileira.

É hora de voltarmos para casa com um sorriso nos lábios. Amanhã é dia de trabalho!

De agora em diante, vamos combinar: é permitido discutir política, futebol e religião!

De maneira cordial e respeitosa, dando exemplo aos nossos governantes e também para as gerações que nos seguem.

Vamos preparar as pautas de DIÁLOGO para os vários outros problemas que temos no país.

Se nossas vozes não forem ouvidas, já sabemos onde nos encontrar: na rua!

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