Destruição e Reconstrução

Esta semana os jornais veicularam a notícia sobre os custos e o projeto da nova estação de pesquisas brasileira na Antártida.

Vários incêndios ocorridos nos últimos anos chamaram a minha atenção e causaram minha aflição.

O primeiro deles foi o do Instituto Butantan, ocorrido em 2010. Quando criança, eu fui em pelo menos duas excursões escolares ao Butantan que foram simplesmente fantásticas, daquelas que, para quem gosta de ciências, ficam marcadas em nossa memória para o resto da vida. Lembro que tive mesmo vontade de chorar quando vi os pesquisadores do Butantan dando entrevistas sobre o incêndio e lamentando a perda de várias espécies e de trabalhos de pesquisa em andamento.

Algum tempo depois, em 2012, ocorreu o incêndio da base brasileira na Antártida, que deixou 2 militares mortos. Mais uma vez aquela foi uma notícia difícil de se conformar. Além de lamentar as mortes, eu não conseguia deixar de pensar no espaço de pesquisas que o Brasil havia perdido e nos possíveis alunos de doutorado que dedicaram anos de estudo em experiências que foram carbonizadas.

Em 2013, ocorreu também o incêndio na biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) na Unicamp. Incêndio que aconteceu bem mais perto de mim desta vez, e que me deixou igualmente inconformada, pois andei frequentando esta biblioteca e havia descoberto recentemente que ela tem exemplares originais antigos e uma coleção de obras raras muito interessante.

E vou evitar o melodrama deixando de comentar os  incêndios da Boate Kiss e da Base de Alcântara.

Em todos os casos eu não posso deixar de notar o descaso, a falta de manutenção de preventiva, a falta de projeto, a falta de planejamento, a falta de engenharia. E quando reflito sobre tantas faltas, não consigo deixar de pensar que falta de recursos muitas vezes é sim parte do problema, mas eu acho também que o que falta é RESPONSABILIDADE. É a tal ladainha de cada um fazer a sua parte, algo que qualquer um pode implementar no seu dia-a-dia. Se sentir responsável pelo local que trabalha, detectar coisas que podem ser melhoradas, demandá-las, apontar erros, fiscalizar. Para fazer isso, não precisamos da ajuda de ninguém de Brasília, a única coisa necessária é não temer se posicionar.

O aspecto positivo de duas dessas histórias pelo menos, é que o Instituto Butantan já reconstruiu e reinaugurou a ala que foi destruída com um projeto muito superior ao que existia originalmente e o projeto da nova base da Antártida prevê uma série de melhorias e adições em relação à base original. E assim, das cinzas, a fênix renasce.

Deixando agora aflorar um pouco da anarquia que existe dentro de todos nós:  siga meu raciocínio, se o incêndio do Butantan resultou num Butantan mais moderno, seguro e com mais recursos, e se o incêndio na Base da Antártida resultará numa base maior e com mais recursos para a pesquisa, será que se atearmos fogo em lugares estratégicos teremos uma versão melhorada deles no futuro?

A piada é sarcástica, mas o desejo de ver as coisas melhorarem é genuíno.

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