Registre sua indignação contra a selvageria documentada em Pedrinhas

Hoje me deparei com a manchete sobre os detentos do Maranhão e o vídeo que mostra detentos esfaqueados e decapitados (me recuso a colocar o link para a referida manchete).

Sou uma pessoa ingênua, que muito provavelmente é chamada de estúpida por alguns e, talvez por isso, eu possa ser considerada excessivamente e teimosamente otimista.

A raiz do meu otimismo está arraigada no fato de eu adorar pensar em soluções para problemas.

Quando todo mundo fala muito mal do Brasil, eu sou daquelas que insiste em dizer: “Realmente, está muito ruim, mas nós podemos mudar isso fazendo tal e tal coisa. E talvez se pessoas como nós nos envolvermos mais na política ou na administração de organizações civis, talvez possamos contribuir para a solução ou melhoria dessa situação.”

Mas sou obrigada a confessar que essa manchete e o tal vídeo, quebraram as minhas pernas, tiraram o meu chão, me abduziram do meu mundo de Pindorama e me jogaram num lugar horrível.

As cenas que vi não podem ser classificadas de outra maneira senão como BARBÁRIE.

E, me desculpem, hoje não dá para ser otimista.

Acontecimentos como este são simplesmente inadmissíveis e se eles já eram conhecidos por qualquer autoridade do Estado, então é realmente bastante difícil imaginar que o Brasil vá melhorar durante a minha geração ou a de minhas filhas.

Eu consigo admitir viver num país subdesenvolvido, com péssima educação básica, com um sistema de saúde universal porém pouco humanista. Eu consigo viver fechando um dos meus olhos para a miséria que é minha vizinha, mas eu não consigo viver no meio da barbaridade de uma violência tão gratuita, maldosa e descontrolada.

Sou neta de imigrantes que fugiram da Europa durante a Segunda Guerra Mundial e dos horrores que ela lhes infringia. Eles largaram tudo: casa, família, origens, bens materiais. Tudo.  Na época eles eram pessoas como eu: trabalhadores sem nenhuma vocação para serem soldados. Pessoas que nunca tiveram atração pela guerra, e que colocam o amor à paz e aos seres humanos à sua volta acima do amor à pátria ou da fidelidade a uma ideologia. Sem forças para modificar aquela situação, disseram NÃO! Não aceitaram a possibilidade de continuar presenciando tais horrores pois permanecer lá significava se tornar uma vítima ou pior, ser condescendente.

Pela primeira vez na minha vida, eu consigo me colocar no lugar deles. Pela primeira vez eu sinto que, neste momento, existem forças devastadoras contra as quais meu trabalho individual e diário não tem nenhum impacto. Pela primeira vez eu me sinto acuada num beco sem saída. E infelizmente, dessa vez, ainda que eu feche ambos os olhos, eu ainda vou continuar sonhando com aquelas imagens…

E o motivo de eu estar escrevendo sobre isso é único: tentar encontrar ressonância em minha indignação. Tentar encontrar mais prisioneiros, como Anne Frank, escondidos em seus sótãos (ops, condomínios fechados) e convocá-los para o uso da palavra e das ideias: as únicas armas admitidas pelas pessoas pacíficas.

Hoje não há espaço para otimismo. Mas sempre haverá espaço para esperança.

Por isso, uma vez que governo federal não pode simplesmente intervir num presídio de  administração estadual*, os cidadãos brasileiros  que se tornaram testemunhas do registro de selvageria registrado no presídio de Pedrinhas podem solicitar a investigação e a intervenção do governo federal através da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. O que devemos que fazer? Registre sua posição enviando um e-mail para: pfdc@pgr.mpf.gov.br

Em seguida, registre um pedido de investigação e intervenção federal na Sala de Atendimento ao Cidadão da Procuradoria, que foi criada em 2013 e que serve como canal de rastreamento e de resposta aos cidadões. Por que isso é importante? Por que não basta declararmos nossa indignação nas redes sociais, e este é um registro oficial e uma atitude pacífica que podemos assumir.

Veja também:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1394580-ongs-de-direitos-humanos-pedem-intervencao-federal-no-maranhao.shtml

* Veja artigo 144 da constituição brasileira, em particular o parágrafo 6.

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