À espera da “lua de sangue” e de um milagre

É lógico que, para quem vive no mundo da Lua, esta segunda-feira é mais que especial pois a minha querida Lua será eclipsada pela sombra da Terra. Para quem quiser assistir ao vivo, existem algumas opções aqui, aqui e aqui.

Por outro lado, eventos celestes como esse sempre me deixam meio tristes, pois a cada anúncio de uma chuva de meteoritos ou de um eclipse, tento responder a mesma pergunta: será que vai ter algum observatório astronômico próximo onde haverá observação ao vivo e onde eu poderia usar um super telescópio?

E mesmo eu morando em Campinas, uma das maiores cidades do país, uma das cidades mais ricas do país, a resposta é um grande NÃO. E olha que em Campinas temos um Planetário Municipal (com umas sessões meio xôxas), o observatório municipal Jean Nicolini (que segundo consta no site foi o primeiro observatório municipal do país; site por sua vez que tem uma programação que não é atualizada desde 2004!!!), o Estelarium Durval Ribeiro (que eu não conheço, até porque é difícil encontrar informações sobre o mesmo) e o observatório da Unicamp (mais conhecido como ex-ponto-de-encontro-da-erva, ex-palco-de-assassinato e abrigo do atual Museu Exploratório de Ciências da Unicamp :0)

Mas quem sou eu para reclamar não é? Afinal, sou apenas uma interessada pelo assunto que gostaria de levar as crianças para passear num lugar diferente.

Pior seria se eu fosse um Professor PhD, que luta para levar o conhecimento da astronomia para os jovens, e que se vê na situação de ter que fazer uma “Vaquinha” virtual para arrecadar MÍSEROS R$ 50.000,00 para comprar um Planetário Digital para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.  Fala sério!!! O que são R$ 50.000,00 para um país como o Brasil? Eu já contribuí. Mas contribuí com raiva. Pois já pago impostos, e gostaria que eles fossem direcionados para comprar um Planetário Digital, por exemplo. A gente não quer só comida!

E se esse gigante narcoléptico não consegue nos dar acesso a um pouco de astronomia, que pelo menos não se esforçasse tanto para nos atrapalhar. Afinal, um telescópio razoável no Brasil é quase inacessível. Veja os preços do mesmo telescópio no Brasil versus no Reino Unido. E note, estou com sono e nem vou buscar o preço nos EUA.

Telescópio X no Brasil: R$ 2250,00 (qual a renda da família que compra este telescópio?)

Mesmo Telescópio X no Reino Unido:  £ 400,00  (mesmo aplicando o câmbio, seria aproximadamente R$ 1600,00)

Qual é o racional que está por trás de aplicar impostos de importação em itens deste tipo?

Será que prejudicaremos a indústria nacional de telescópios se zerarmos o imposto destes itens? Tenho convicção que não. Afinal, como teremos uma indústria nacional de telescópios se a maioria dos brasileiros nunca viu um de perto?

E assim seguimos em Pindorama, com uma agenda espacial carregada nas costas por alguns engenheiros e cientistas teimosos, escondidos nos laboratórios das universidades brasileiras, no INPE e que fazem MUITO com MUITO POUCO e que ainda insistem em morar no país.

Não há como negar que brasileiros que ousaram olhar para o céu como Beatriz Barbuy são verdadeiras estrelas no meio da escuridão. Mas até ela teve que ir para a França para perseguir seu sonho.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, um personagem como Neil deGrasse Tyson é uma verdadeira celebridade.

Mas o que me incomoda, o que me incomoda MESMO, é que eu não conheço nenhuma criança que não seja curiosa sobre o céu, as estrelas, o Espaço e o Universo. E infelizmente, pelo menos no Brasil, não estamos sequer nos esforçando para satisfazer a curiosidade destas crianças. Se começarmos AGORA, só veremos os resultados daqui umas duas gerações.

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3 ideias sobre “À espera da “lua de sangue” e de um milagre

  1. Fernando Luz

    É, realmente o céu desperta bastante a nossa curiosidade pelo desconhecido.

    Na minha graduação em São Carlos, logo no primeiro ano, fiquei abismado com a quantidade de estrelas que dava para se ver em uma noite de céu limpo, bem diferente do céu de São Paulo, onde quando eu via uma ou duas estrelas eu ficava mais do que feliz.

    Desta forma, eu não tinha outra opção a não ser de trabalhar no observatório da USP e tentar ficar mais perto desta fonte de inspiração. Era bastante legal o ambiente lá e as observações utilizando a Grubb (http://www.cdcc.usp.br/cda/interno/grubb/index.html), mas o mais legal era ir no meio do canavial de madrugada, com a galera do observatório (e agregados) fazer observação sem as malditas PL (Poluição Luminosa). Dai eu entendi porque a via láctea tem este nome.

    Com relação a telescópios, concordo com você. Ridículo o preço pago e a qualidade dos telescópios daqui. Teve uns amigos que fizeram um dobsoniano, fazendo desde o espelho até toda a estrutura dele. Ficou super barato, mas deu um trabalho infernal, um grupo que eles participavam (e que ainda esta bastante ativo é https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/ATM-BR/info )

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    1. xaoquadrado Autor do post

      Fernando, muito bacana saber da existência deste grupo! Show mesmo! Eu queria que esses comentários ficassem mais visíveis no WordPress, mas ainda não aprendi como fazer isso. Você se importa que eu insira estas suas dicas num post?

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      1. Fernando Luz

        Sem problemas nenhum, pode postar ela sim…

        E eu não sei como da pra fazer isso no wordpress, mas deve ser possível. 🙂

        Essa semana foi corrida, mas em breve eu vou ler os ultimos resumos seus da semana.

        🙂

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