Amazon: seja bem-vinda, entre e fique à vontade!

A boa notícia: há pouco mais de duas semanas a Amazon Brasil FINALMENTE passou a vender livros no Brasil. Soltem rojões!!! (Eu ainda não entendi porque tenho que cadastrar meu CPF para abrir uma conta na Amazon Brasil, mas vamos deixar isso para um outro post…)

A notícia ruim: as livrarias e editoras brasileiras (sem nenhum “espírito animal”), que há muito já sabiam que isso mais cedo ou mais tarde aconteceria, fazem o típico mimimi brasileiro: prepararam uma carta, a ser entregue aos presidenciáveis, pedindo a regulamentação do setor livreiro, onde uma das propostas que parece se fortalecer é o preço fixo para livros.

Há muito as livrarias brasileiras não satisfazem seu cliente nem em preço e nem qualidade. Ninguém mais aguenta entrar na seção infantil e só ver livrinhos da Barbie e da Disney, ninguém mais aguenta ver “livros que basearam o filme”, literatura erótica feminina, livros de vampiros, ou livros de vampiros misturados com literatura erótica feminina, além daqueles livros de auto-ajuda de autores que parecem escrever 3 livros por semana.

A cena clássica é mais ou menos assim: você entra numa livraria querendo comprar um presente para uma criança. Você pede sugestões ao vendedor e, ao invés de ele te indicar o último vencedor do Prêmio Jabuti de literatura infantil (hein prêmio com nome de tartaruga?!), ele vai te levar para um livrinho com música, texturas e pop-ups.

A Amazon é alvo de críticas em vários países, sendo acusada por várias editoras de práticas “vampirescas” de controle de preço.  Mas o ponto é que durante décadas, este controle esteve na mão das próprias editoras que hoje acusam a Amazon e o conflito que vem acontecendo é natural das inovações do mercado (veja aqui uma comparação interessante com o Wal-Mart).

No caso do Brasil, se a Amazon é canibalisa, espero que seu apetite seja ENORME.

Quando escuto histórias do tipo  “J.K. Rowling teve Harry Potter rejeitado 7 vezes”, ao invés de interpretar isso como uma história de persistência e superação, eu penso que as editoras  possuem métodos totalmente subjetivos de avaliação e que, tipicamente, tendem a publicar livros de seus “amiguinhos”, só apostam naquilo que tem 90% de chance de dar certo e empurram para a frente das vitrines das livrarias aquilo que elas querem que dê certo. Não há nenhum interesse em dar a oportunidade aos leitores de decidirem qual texto é bom ou ruim: algo que a Amazon faz de maneira muito cristalina na tela de seu computador ou no seu Kindle.

A Amazon é uma empresa inovadora em várias áreas que vão bem além da venda flexível e popular de livros, e fico muito feliz de saber que hoje, se eu quiser publicar um livro, eu posso fazer um “self-publishing” e deixar que os leitores decidam se o livro vale à pena ser lido ou não.

Para os autores é o fim dos intermediários, mas também é uma era onde ninguém mais pode contar com a promoção e o “jabá” das editoras. Em outras palavras, vamos todos TRABALHAR

Sim, a Amazon não é uma empresa filantrópica e visa o lucro. Sim, a Amazon provavelmente está adquirindo um poder grande demais… Mas cadê seus competidores? Cadê os próximos inovadores? Não é com mimimi que vamos fazer frente a algo que não tem mais volta…

Ouvi colegas defenderem que o preço fixo dos livros já é uma prática em países como a Alemanha, sendo uma estratégia para defender as pequenas livrarias e garantir que elas continuem existindo (o preço do livro é impresso na capa do mesmo). Sou capaz de admitir que essa estratégia faça sentido num país como a Alemanha, onde qualquer banca de jornal de rodoviária tem livros 100 vezes mais interessantes e baratos que a típica livraria Saraiva do Brasil (eu vi, ninguém me contou).

Mas num país com pouquíssimas bibliotecas, tão carente de educação, de dimensões continentais, com milhares de municípios sem nenhuma livraria e com preços de livros caros, chega a ser vergonhoso que essas entidades livreiras brasileiras se mobilizem em plena Bienal de São Paulo para pensarem em “regulamentação do mercado” e sugerirem preço fixo como estratégia de proteção.

Queridas livrarias e editoras, EXPLOREM NICHOS, TREINEM seus vendedores prestem serviço DE VERDADE. O mercado é enorme, vocês são incompetentes de explorá-lo.

Querida Amazon: seja bem-vinda, entre e fique à vontade!

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