O que são MOOCs?

O Brasil não é um país para os fracos de coração. Essa foi uma das melhores definições que eu já ouvi para o nosso país e ela é a frase final de uma repórter britânica, num dos episódios de uma série de documentários sobre as características da comunicação televisiva em diversos lugares do mundo. O episódio sobre o Brasil é, na minha opinião, IMPERDÍVEL e vale como uma excelente aula de história e geografia.

E meu coração sofreu prá caramba nas eleições brasileiras de 2014 para presidente e governador  e vão deixar uma lembrança triste na minha memória. Não me refiro ao resultado das eleições, mas ao comportamento dos eleitores durante o processo eleitoral.

E o que esse papo todo tem a ver com o título deste post? Na minha opinião, muita coisa.

Desde que eu me conheço por gente, eu sofro de uma maldição: me fale sobre um problema e, involuntariamente, passarei dias matutando possíveis maneiras de abordá-lo e solucioná-lo.

Imagine então como foi minha adolescência romântica crescendo num país problema, ou de terceiro mundo, como era ensinado nas aulas de Geografia. Imagine como era a angústia de imaginar soluções na época da inflação galopante, da tabela da SUNAB, dos salários que não chegavam até o fim do mês, na época em que era comum encontrar crianças pedintes em semáforos e dormindo na rua e em que as escolas públicas já apresentavam uma qualidade extremamente inferior à das particulares.

Sim, no auge dos meus 12 ou 13 anos eu investia muito tempo pensando em como “solucionar” o Brasil, como se ele fosse uma equação algébrica linear.

Mas, eu me lembro perfeitamente que um dia eu sosseguei… Eu tinha encontrado a solução! Para mudar e melhorar o Brasil, só tinha um caminho: o caminho da Educação!

Passadas algumas décadas, com algumas rugas a mais e com um pouco menos de romantismo, fico feliz de pensar que ainda guardo algo valioso do fim da minha infância: uma crença. A crença de que a Educação é o caminho para a solução dos mais diversos problemas brasileiros.

Hoje tenho duas filhas, uma de 5 anos que se prepara para entrar no 1° Ano do Ensino Fundamental e outra de 8 anos, que irá para o 4° Ano do Ensino Fundamental. As duas atualmente estudam em uma escola particular e estamos no mês de outubro, o que significa que é época de rematrícula.

Todos os anos essa é uma época conturbada para mim, de muitos conflitos internos. Afinal, eu odeio que minhas filhas tenham que estudar num ambiente de crianças predominantemente brancas dentro de um país predominantemente negro. Eu odeio que minhas filhas tenham que estudar apenas com crianças de uma classe econômica que nem de longe representam a realidade brasileira. E eu odeio que eu tenha que atentar para a segurança do colégio onde estudam minhas filhas, com medo que alguém possa macular com violência o espaço sagrado da escola.

Todos os anos eu faço uma peregrinação por várias escolas de Campinas e a conclusão que eu sempre chego é: as escolas de nossas crianças são péssimas, sem exceção. Repito com letras maiúsculas: ESCOLAS PÚBLICAS OU PARTICULARES, TODAS ELAS DEIXAM A DESEJAR. Se nas escolas públicas o problema é de infra-estrutura, de professores que faltam, que são mal pagos ou da implementação equivocada de sistemas como o da “progressão continuada”; nas escolas particulares vemos um modelo de segregação, de administração de “clientes” e não de educandos, e na modernização equivocada do ensino baseada em “lousas digitais”, “material digital” e tablets para seus alunos.

Já faz um tempo que eu tenho me movimentado para tentar mudar essa realidade a partir de projetos que são extremamente pequenos mas que fazem parte da minha zona de influência.

É por isso que, a partir deste post, tentarei também trazer para este blog algumas ideias que eu considero como pistas importantes para novos modelos de educação que transbordam dos muros escolares.

Parto da minha crença pessoal, construída a partir de reflexões  e observações pessoais sobre o mundo, de que a educação que estamos oferecendo para as nossas crianças é arcaica e não atende os desafios que os jovens enfrentarão num futuro próximo. Além disso, parto da convicção que alterar as estruturas atuais de educação podem trazer benefícios nunca antes alcançados para a humanidade e para a manutenção da vida no nosso planeta. Finalmente, atuando no contexto brasileiro, carrego a convicção de que novos modelos educacionais podem transformar o Brasil de maneira muito mais rápida do que qualquer governo eleito.

Também é importante destacar que eu não estou trazendo ideias inovadoras. As sementes já foram lançadas há muito tempo e penso apenas que o meu papel é servir de vento para que elas alcancem solo fértil, ou seja, VOCÊ.

Com este espírito renovado, eu começo compartilhando um vídeo que explica o que são MOOCs (pronuncia-se “mucs”), ou Massive Online Open Courses.

O termo foi cunhado em 2008, por Dave Cormier (University of Prince Edward Island) e Bryan Alexander (National Institute for Technology in Liberal Education), dois caras que dedicam seu tempo para pensar sobre o futuro da Educação e frequentemente compartilham suas ideias em seus blogs: http://davecormier.com/, http://bryanalexander.org/

Eu ainda vou escrever outros posts sobre MOOCs, minhas impressões pessoais de ter feito alguns cursos em plataformas como o Coursera, mas hoje eu queria apenas compartilhar este vídeo onde os princípios básicos presentes num MOOC são apresentados. Princípios como o entendimento de que “a informação está em todo lugar” e que o educando deve ser um empreendedor que se apropria do conhecimento.

Esqueçam o prédio da escola na função que hoje ele exerce, esqueçam o professor na frente de 30 alunos fazendo-os copiar algo, esqueça a ideia de que alguém é proprietário do conhecimento.

What is a MOOC?

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