Resumo Semana 2 – 2015

Seguem os meus destaques para a última semana:

  • O que é, o que é, qual o estilo literário preferido de uma engenheira? Poesia, é claro!!! Com suas métricas e seus alinhamentos rítmicos, não há nada mais bonito que a matemática visualizada em palavras. Mais maravilhoso ainda quando o texto se sintoniza com seu coração. É por isso que achei fantástica a ideia do jogo “Elegy-dead-world”. Resumindo em poucas palavras, o jogo requer que você viaje para planetas distantes e para avançar as fases, escreva textos em diversos estilos literários, incluindo poesia. Um ferramenta bem bacana para professores não? Quem sabe alguém não aproveita a dica para desenvolver um jogo semelhante para o português?
  • E por falar em português… Se eu te perguntasse, qual é o contexto em que o português, comparado com outras línguas, mais se destaca: Wikipedia, Twitter ou Tradução de Livros? Infelizmente, essa resposta eu acertei facilmente. Dá uma conferida na resposta no gráfico desse artigo da “The Economist”: http://www.economist.com/blogs/prospero/2014/12/johnson-language-networks

Agora vamos chavear para assuntos mais polêmicos. Esta semana que passou foi meio tensa para os cientistas brasileiros. Ainda nem assimilamos o nome de Aldo Rebello para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, quando chegaram as notícias que os bolsistas da CAPES não estavam recebendo seus pagamentos (nas redes sociais já recebi notícias que a situação já está sendo resolvida).

Conversar com as pessoas sobre o Brasil e sobre políticas públicas tem ficado cada vez mais chato. Estamos divididos entre o “bem” e no “mal”, entre o “vermelho” e o “azul”, num mundo que é analógico e em escala de cinza.

Por isso eu dou destaque para essas duas colunas de opinião que apareceram na Folha de S. Paulo essa semana, com algumas ressalvas. Apesar de respeitar a opinião de seus autores, sinto um pouco de tédio em ambos textos. Afinal, eles falam de coisas que “já sabemos” sem se preocupar em contribuir com ideias para a evolução do “status quo”.

No artigo de Suzana Herculano Houzel (aquela com quem nem sempre concordo, mas morreria para que ela continuasse falando), “A ciência internacional de verdade”, ela fala sobre as dificuldades de se realizar o intercâmbio com cientistas internacionais no Brasil. Ela está certa: a burocracia é mesmo exagerada e os prazos são mesmo desanimadores (muito provavelmente resultado da nossa cultura de punir 99% dos que agem com lisura para evitar os “malfeitos” de 1% que abusam). Porém, a provocação da Suzana sobre sua ida a Hong Kong foi um pouco tosca. Temos que lembrar que estamos falando de dinheiro público. Neste sentido, é natural que sejam exigidos gastos espartanos e prestação de contas transparente (coisas que também são exigidas e também são burocráticas e chatas na iniciativa privada mas que lá, com sorte, são feitas por um funcionário administrativo e não por um PhD em neurociência ou física). Não acho que exista alternativa para isso, mas minha proposta é que as universidades se mexam para tornarem suas gestões mais eficientes e gastarem o tempo de seus recursos humanos de pesquisa e ensino, com pesquisa e ensino, e não com coleta de informações, tradução de documentos, cotações de viagem, etc… (P.S.: vale ressaltar que essa mudança passa por valorizar os funcionários administrativos das universidades, que hoje muitas vezes são tratados como profissionais de segunda categoria quando comparados aos professores e pesquisadores).

O artigo de Rogério Cerqueira Leite para mim é pior. E só não é pior do que ver um monte de colegas compartilhando este artigo com posts do tipo: “Ai que triste situação” , como quem aceita o rótulo dado pela coluna. Primeiro, o autor não cita nem o título do tal artigo da Nature do qual ele diz ter extraído os números que são mencionados na sua coluna (até agora estou tentando achar o tal artigo). Depois ele desclassifica a maioria dos concursos para professores universitários do Brasil, chamando-os de “falsificados”. Aí ele repete um monte de problemas já conhecidos por todos e finaliza a coluna, sem maiores explicações, propondo que a solução seria implementar algo chamado “organização social”. Sério, estou aceitando explicações sobre que é a tal iniciativa de sucesso chamada “organização social”. Me perdoem a ignorância… Resumindo, do meu ponto de vista, a coluna foi um desserviço à população (por não informar sem viéses) e mais ainda à comunidade científica brasileira (por chutar cachorro moribundo).

Enfim, deixa eu ir lá produzir meu “lixo acadêmico” do dia #soquenao.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s