Dengue, ditadura e democracia: conheça a história d Dr. Fred Soper

Cada vez que eu escuto na TV uma daquelas propagandas de combate ao Aedes aegypti que pedem para eliminar os pratinhos com água dos vasos de plantas, eu tenho vontade de me jogar pela janela.

Num país castigado há tantos anos pela Dengue, como nossas estratégias básicas de combate à doença ainda são majoritariamente focadas em campanhas deste tipo?

Oras, não estou questionando a metodologia de combate ao mosquito, mas estou criticando nossa incapacidade de nos aprofundarmos em debates mais avançados sobre a erradicação da doença.

Por que, por exemplo, raramente discutimos a correlação da falta de saneamento básico nos centros urbanos com a emergência da Dengue, Zika e Chikungunya? Como não se menciona os problemas sociais de um povo que vive sem pudores no meio do lixo? Por que não se cogita transferir parte dos investimentos no combate à dengue, incluindo aqueles gastos em propagandas e websites com joguinhos “mata-mosquito” que há décadas reciclam o mesmo conteúdo, para programas escolares que focassem na educação de cidadãos críticos e esclarecidos, capazes de demandar em suas localidades ações efetivas de engenharia e saúde?

Raras foram as vezes em que ouvi algo que destoasse da ladainha de tirar pratinhos com água de vasinhos, virar garrafas para baixo, descartar pneus velhos e  tampar caixas d’água.

Mas existe sim uma novidade na história recente da Dengue: eis que em breve teremos uma vacina. Infelizmente, não podemos tomar para nós o orgulho dessa conquista e devemos agradecer aos Estados Unidos.

Nos idos dos anos 80, portanto há aproximadamente três décadas, o “Xou da Xuxa” já tinha um personagem chamado Dengue (mais uma prova do nosso talento natural para fazer piada sobre o que é vergonhoso). A pergunta que eu me faço é: por que, sendo a Dengue uma doença dos trópicos, velha conhecida nossa, não fomos capazes de desenvolver uma vacina?

Me parece que sofremos um problema sério de visão, já que não priorizamos o investimento maciço na obtenção desta vacina. Ao invés disso, optamos por gastar BILHÕES tentando remediar o que se tornou irremediável.

Por este motivo, a reportagem abaixo teve, para mim, o mesmo efeito de um tapa na cara. Nunca li uma reportagem histórica tão completa sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti no Brasil. O mais intrigante é que a reportagem é publicada pela revista “Outside Live Bravely”, uma revista americana que tipicamente cobre viagens, esportes, saúde, fitness e celebridades! Reportagem esta que só chegou ao meu conhecimento pela revista de tecnologia “WIRED”.

Mas, como assim?!

Como, depois de tantos anos ouvindo a cantilena da Dengue, eu não me recordo de ter ouvido falar do Dr. Fred Soper e da história da erradicação do mosquito Aedes aegypti no Brasil? Por que eu tive que descobrir esta história por meio de um artigo em inglês em uma revista que fala de esportes e celebridades?

O artigo vai além e força uma discussão, no mínimo curiosa, sobre ditadura x democracia e o combate ao mosquito. Ao final da leitura, fico com a sensação que ele evidencia de maneira muito clara pelo menos dois problemas graves no Brasil: a falta de responsabilidade (e neste caso prefiro o termo em inglês  “accountability”) de nossos líderes e nossa inabilidade de discutirmos de maneira aprofundada problemas complexos cujas soluções são naturalmente difíceis. Em português claro, preferimos continuar tirando o pratinho de água do vaso de plantas.

Para os que não dominam o inglês, este é um daqueles casos que vale à pena habilitar o Google Translate.

dengue

 

 

 

 

 

Problema com WiFi no Ubuntu 16.04

Atualização 15/07/2016: meu WiFi parou de funcionar após o último update do 16.04. Eu já tinha executado o procedimento abaixo e achei que dessa vez o problema era outro. Após alguns dias pesquisando sem sucesso, entendi que o último update atualizou o pacote linux-firmware. Resumindo, tive que executar novamente o procedimento abaixo e tudo voltou a funcionar. Espera-se que em breve os repositórios do Ubuntu reflitam as modificações implementadas na versão não-oficial de drivers.


Após a instalação do Ubuntu 16.04 num Dell Inspiron 5557 o WiFi não funcionou automaticamente.

Se você está passando por problema semelhante, o primeiro passo é checar o modelo de sua placa wireless. Isso pode ser feito pelo comando:

lshw -C network

No meu caso a placa é:

description: Wireless interface
product: QCA6174 802.11ac Wireless Network Adapter
vendor: Qualcomm Atheros

Se essa não é sua placa, os comandos abaixo não servirão para você, ainda que a solução possa lhe servir de inspiração.

O problema com a placa QCA6174 já é conhecido na comunidade e uma busca no Google com o nome da placa e problemas de conexão retornará alguns posts envolvendo a instalação de um firmware não-oficial ainda não disponível nos repositórios.

Segue abaixo a sequência de comandos que deve ser executada. Note que, para que esta solução funcione, você deverá estar conectado à Internet (provavelmente, via cabo). É necessário reiniciar o computador após o procedimento.

Se você está enfrentando o mesmo problema, espero que a dica sirva para você também.


sudo mkdir -p /lib/firmware/ath10k/QCA6174/hw3.0/

sudo rm /lib/firmware/ath10k/QCA6174/hw3.0/* 2> /dev/null

sudo wget -O /lib/firmware/ath10k/QCA6174/hw3.0/board.bin https://github.com/FireWalkerX/ath10k-firmware/blob/7e56cbb94182a2fdab110cf5bfeded8fd1d44d30/QCA6174/hw3.0/board-2.bin?raw=true

sudo wget -O /lib/firmware/ath10k/QCA6174/hw3.0/firmware-4.bin https://github.com/FireWalkerX/ath10k-firmware/blob/7e56cbb94182a2fdab110cf5bfeded8fd1d44d30/QCA6174/hw3.0/firmware-4.bin_WLAN.RM.2.0-00180-QCARMSWPZ-1?raw=true

sudo chmod +x /lib/firmware/ath10k/QCA6174/hw3.0/*


A solução está descrita no post #22 do seguinte link:

https://bugs.launchpad.net/ubuntu/+source/linux-firmware/+bug/1520343?comments=all

The Dark Night Rises

Tem jeito de título hollywoodiano mas não é. Está mais para roteiro de documentário ou de continuação da série: Fortes indícios de que podemos desistir de ver um Brasil próspero e rico nos próximos 100 anos

Esse post não trata de “impeachment” ou da existência ou não de um “golpe”. Sinto desapontá-los.

Esse post trata de três indícios que me fazem acreditar que o Brasil segue uma jornada célere rumo a uma era de obscurantismo.

  1. O primeiro indício vem da estratégia estarrecedora de redução de cortes em programas de pós-graduação e recursos para a pesquisa que o país vem sofrendo nos últimos 6 meses. Se o primeiro axioma orçamentário é “nunca gaste mais do que ganha”, o segundo deve ser “se tiver que reduzir gastos, não comece cortando suas oportunidades futuras de sair desta situação”. Ou seja, ninguém em dificuldades deixa de ir ao emprego porque decidiu economizar no vale-transporte. As notícias desoladoras chegam de todos os lados para a ciência brasileira e os cortes em recursos que visavam a internacionalização de nossos trabalhadores são ainda mais tristes, revelando uma visão equivocada e  limitada.
  2. O segundo indício vem da medida provisória da presidente da fosfoetanolamina contra o câncer. Eu ingenuamente acreditei que os motivos para não se sancionar uma lei como essa eram óbvios e que um pouco mais de esclarecimento faria com que a sociedade entendesse isso. Mas me espantei quando pessoas muito bem-educadas e supostamente esclarecidas punham um ponto final na discussão afirmando “liberem a fosfo, deixe que o paciente terminal de câncer decida”. E assim, a “voz do povo” e a mobilização de nossos deputados suplantaram a função da Anvisa, de séculos de avanço da Ciência, aprendendo com erros e desenvolvendo protocolos para garantir que um medicamento só seja comercializado quando há evidência de eficácia, sem causar dano à vida, ou ao bolso de um vulnerável paciente… Gigantes empilhados da ciência levaram uma senhora rasteira, sendo substituídos pelo vendedor da Idade Média e suas pílulas e xaropes milagrosos. Pior é saber que milhares de reais estão sendo gastos em testes cujos resultados não estão sendo muito promissores (leia “Pílula do câncer é reprovada em primeiro teste oficial”, Folha de S. Paulo, Março 2016). Se o que estava em jogo era simplesmente o direito individual de se colocar qualquer coisa que se queira “goela abaixo”, que seus altruístas pesquisadores seguissem o exemplo da comunidade “opens source”: divulgassem de maneira gratuita e aberta a fórmula e o processo de fabricação da pílula. O resto era com Walter White.
  3. Finalmente, o terceiro indício é uma verdadeira cápsula do tempo que nos levará diretamente de volta à Idade Média. As recentes notícias da limitação de franquia na Internet pelas operadoras, com o aparente apoio da Anatel por meio da fala de seus dirigentes. Vergonhosamente, aqueles que deveriam defender os interesses dos consumidores de dados brasileiros, são aqueles que fazem chacota do uso que o brasileiro dá à Internet, insinuando que assistimos muito Netflix ou nossos jovens jogam muitos jogos online. Sério mesmo??? Em 2004, eu morava na Itália, num apartamento de 1 dormitório. Eu pagava aproximadamente 30 Euros por 10Mbps de Internet ininterrupta, sem franquia e por fibra óptica. Quer passar raiva? Atualmente o plano equivalente é de 25 Euros, por 100Mbps e uma série de outras vantagens adicionais. Você aceita uma provocação simples de como isso nos afeta? Entre na página principal do Wikipedia e confira quantos verbetes em Italiano existem e compare com o número de verbetes em Português. Depois faça uma pesquisa rápida na diferença da população de falantes de Italiano e Português. Extrapole esse simple exemplo e use sua imaginação. Limitem a Internet de nossos jovens brasileiros e meu último fio de esperança para os próximos séculos se esvairá. A noite mais tenebrosa terá se instalado. A mim então caberá apenas trabalhar diariamente para fazer algumas mentes brilharem aqui e acolá, na esperança que em alguns séculos a luz possa voltar a brilhar…

Seis graus de separação

O Facebook celebra hoje 12 anos, apelidando esta data de “Friends Day”.
Por mais que eu particulamente tenha uma relação de amor e ódio com esta rede social, ninguém negará que o Facebook já garantiu uma sessão particular na história do século XXI.
Hoje também o Facebook divulgou artigo que menciona os “seis graus de separação” entre as pessoas do planeta, um termo que aparece frequentemente nos cursos introdutórios de teoria dos grafos na Engenharia de Computação. O título do artigo “Three and half degrees of separation” já revela o resultado que eles acharam utilizando dados dos usuários da rede social.
Eu acho tão curiosa essa hipótese que vou me dar ao trabalho de traduzir a parte inicial do artigo. Para os entusiasmados, o artigo original também descreve o algoritmo utilizado para computar os “graus-de-separação”.
Para saber ainda mais sobre a “Teoria dos Grafos”, os Seis Graus de Separação e como as conexões acontecem numa linguagem acessível, confira o vídeo do canal Nerdologia:
Três graus e meio de separação
* Tradução da introdução do artigo entitulado “Three and half degrees of separation”, por Sergei Edunov, Carlos Diuk, Ismail Onur Filiz, Smirit Bhagat, Moira Burke
“Eu li em algum lugar que todos neste planeta estão separados por apenas outras seis pessoas. Seis graus de separação. Entre nós e qualquer outra pessoa neste planeta. O presidente dos Estados Unidos. Um gondoleiro em Veneza. Preencha os nomes… Como toda pessoa é uma nova porta, abrindo-se para outros mundos. Seis degraus de separação entre mim e qualquer outra pessoa no planeta. Mas para encontrar as seis pessoas certas…” – John Guare, Six Degrees of Separation (1990)
Como o mundo está conectado? Dramaturgos [1]**, poetas [2] e cientistas [3] propuseram que qualquer um neste planeta está conectado a qualquer outro indivíduo por seis outras pessoas. Em homenagem ao “Friends Day”, nós trituramos o grafo de amizades do Facebook e determinamos que o número é 3.57. Cada pessoa no mundo (pelo menos entre as 1.59 bilhões de pessoas ativas no Facebook) está conectada a todas as outras pessoas por uma média de três pessoas meia. A distância média observada é 4.57, correspondendo a 3.57 intermediários ou “graus de separação”. Dentro dos Estados Unidos, as pessoas estão conectadas às outras por, em média, 3.46 graus.
Nossos “graus de separação” encolheram nos últimos cinco anos. Em 2011, pesquisadores da Cornell, da Universitá degli Studi di Milano e do Facebook computaram a média entre as 721 milhões de pessoas que usam o site e, então, encontraram que ele era de 3.74 [4],[5]. Agora, com o dobro de pessoas utilizando o site, nós nos tornamos ainda mais interconectados, encurtando a distância entre quaisquer duas pessoas no mundo.
Calcular este número para bilhares de pessoas e centenas de bilhões de conexões de amizade é desafiante, nós usamos técnicas estatísticas (…) para estimar precisamente esta distância baseados em dados agregados não-identificados.
** Referências no artigo original.

Está aberta a chamada de trabalhos para VII SIIM (Simpósio de Instrumentação e Imagens Médicas) / VI SPS-UNICAMP (Simpósio de Processamento de Sinais da UNICAMP)

O VII SIIM (Simpósio de Instrumentação e Imagens Médicas) / VI
SPS-UNICAMP (Simpósio de Processamento de Sinais da UNICAMP) convida
toda a comunidade de Engenharia Biomédica e de Processamento de Sinais,
em geral, a enviar os seus trabalhos e participar do evento que ocorrerá
entre os dias 21 e 23 de Outubro de 2015, na Faculdade de Engenharia
Elétrica e de Computação da UNICAMP, em Campinas.

Dentre os palestrantes confirmados estão:
Prof. Richard Frayne - University of Calgary, Canadá
Prof. Christian Jutten - University Joseph Fourier, França
Profa. Mariane Rembold Petraglia - COPPE/UFRJ
Prof. Amauri Amorin Assef - UTFPR

O evento também conta com diversos mini-cursos e convida estudantes,
pesquisadores e profissionais tanto da academia quanto do setor
industrial a apresentarem seus trabalhos em áreas que incluem, mas não
se restringem a:
Processamento de áudio, fala, música e multimídia;
Processamento de imagens, e vídeo;
Processamento sísmico;
Controle e automação;
Comunicações;
Teoria de processamento de sinais;
Imagens médicas;
Métodos e técnicas de formação de imagens médicas;
Intervenções médicas guiadas por imagem;
Qualidade e processamento de imagens médicas;
Instrumentação biomédica;
Novas tecnologias;
Dispositivos biomédicos;
Equipamentos eletromédicos;
Compatibilidade eletromagnática e bioeletromagnética;
Processamento de sinais biomédicos;
Modelagem e simulação de sistemas e fenômenos biológicos;

Os trabalhos podem ser submetidos em Português ou Inglês nas seguintes
modalidades:
Short Paper: artigo de 4 páginas, coluna dupla;
Extended Abstract: resumo estendido de 1 página;

Mais informações podem ser conferidas no site do evento:
http://www.sps.fee.unicamp.br

Ou na nossa página no facebook:

https://www.facebook.com/sps.unicamp

TV Cultura no ostracismo

A Veja dessa semana enaltece o canal público britânico BBC por sua capacidade de inovação e sua produção autoral. Enaltecimento mais do que merecido (apesar de estranho… xiu, don’t overthink!).

Atenção similar poderia receber nossa premiada e moribunda TV Cultura que vem substituindo, entre outras coisas, uma programação infantil brasileira por pacotes de desenhos animados estrangeiros, por falta de recursos para manter produções com geniais artistas brasileiros como Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, Co-co-ri-có, entre vários outros, incluindo o recente “Que monstro te mordeu?” (tão lindo, tão profundo…), que são reexibidos diariamente e ainda fazem tanto sucesso entre as crianças.

Em tempos tão estranhos, talvez seja heresia defender um canal público de televisão.  Tão estranho quanto dizer que britânicos e italianos, por exemplo, pagam taxas anuais para terem seus canais públicos no ar com programação variada, autêntica e genuinamente nacional (argh esses socialistas!!! #sqn)

Presidente da Cultura diz que ‘Viola Minha Viola’ e ‘Provocações’ acabaram

Reflexão de uma mãe no Dia dos Pais

Ser pai não é tão fácil quanto ser mãe. Ser mãe não é uma opção para nós. Simplesmente somos.

Seja dos nossos próprios filhos, dos filhos da vizinha, dos filhos adotados,
dos netos, dos sobrinhos, de animais abandonados, de amigos e amigas em dificuldades, ou de homens à deriva, está em nossa natureza, forjada após milhares de anos de evolução, cuidar com prazer de alguém que necessita de nosso carinho.

Captou?

Para nós é fácil. Ser mãe nos dá prazer.

Mas ser pai é algo bem diferente. Ainda que qualquer ser humano um pouco mais civilizado seja capaz de se enternecer com um pequeno filhote, ser pai não é nada fácil.

Ser pai exige uma resolução.

Para as mães,  com dificuldades ou não, ser mãe nunca será uma opção. Apenas somos.

Já para os pais, estar próximo, tentar ouvir, tentar compreender, fazer vozes engraçadas, superar o nojo de cuidar de uma criança remelenta de fraldas sujas, superar uma educação que o isenta de estar próximo do cotidiano da casa e das crianças, demanda muito, muito mais esforço do que demandaria para qualquer mãe que, mesmo quando é desnaturada, é um ser mítico, protegido e valorizado.

Saúdo os homens que cotidianamente escolhem participar ativamente da vida e da educação de seus filhos, mesmo quando ninguém os valoriza por isso e mesmo que eles não sintam aquele mega chamado da natureza para serem pais.

Vocês são demais! Vocês são capazes de mudar o mundo para muito melhor!

Saúdo também as mães, que não tendo ao seu lado homens que tomassem a resolução de serem pais, assumem com coragem esse papel.

E finalizo dizendo que se seu pai não é perfeito, nunca foi culpa sua.
E talvez, apenas se fizer sentido para você, você devesse dar mais valor àqueles breves momentos em que seu pai biológico, esboçou coragem para ser um pai de verdade, ainda que ele tenha fracassado no instante seguinte.
Tenha em mente que resoluções como essa não são fáceis.

Feliz Dia dos Pais!