Eu vou de Linux

Ainda me lembro da primeira vez que eu ouvi a palavra Unix.

Em casa tínhamos um IBM PC 286 e, vendo meu interesse por aquela máquina, meu pai me levou um dia para passear no seu trabalho para conhecer o pessoal da “computação”. Eis que entramos numa sala gelada com monitores CRT de 19” e fui apresentada a um barbudo intimidador. Cinco minutos depois, e já me sentindo à vontade para fazer uma enxurrada de perguntas, fui apresentada a “workstations” Sparc, fabricadas por uma empresa chamada Sun e vi aquelas telas totalmente diferentes do PC pangaré de casa com Windows 3.11. Era o Unix. Enquanto o barbudo explicava o que era o sistema operacional Unix, seus olhos brilhavam. Aquilo parecia difícil e interessante…

Vários anos depois, já na faculdade de engenharia, tínhamos laboratórios inteiros de computadores com Unix de um lado e Windows NT do outro. E ao mesmo tempo que eu tinha medo das linhas de comando do Unix, e morria de vergonha de perguntar qual era o comando para ler emails ou trocar de diretório, eu achava aquele lado dos laboratórios desafiador. Além disso, por lá soava a  palavra FREE. E não era um FREE um que significava “almoço grátis”. Era um FREE que significava FREEDOM, liberdade de customização, liberdade de instalação, liberdade de pensamento, de implementação, de compartilhamento.

E enquanto eu escrevia meus relatórios em software pirata, eu já tentava sintonizar nas conversas dos veteranos de barba rala da faculdade e tentava descobrir o que era Linux, Red Hat, Debian, Fedora e foi quando queimei meu primeiro CD de Linux.

Respirei fundo, tomei coragem, formatei o Windows e fiz minha primeira instalação de Linux no AMD K6 II, 650 MHz lá de casa. E tudo foi um TERROR. O driver da placa de vídeo não funcionava e ao ligar ao computador, a tela ficava girando e eu não conseguia ler nem o que era para digitar para desligar a máquina. Uma semana depois de conseguir fazer a tela parar de girar, muitos outros desafios me aguardavam: como fazer a placa de modem funcionar, como escrever com acentos em português, qual editor de texto usar, como aprender a navegar nos arquivos. FRACASSO!

Eu adorava o desafio, mas na época percebi que “tunar” o Linux para uma determinada máquina significava perder horas e mais horas de pesquisa na descoberta de soluções que infelizmente não seriam reproduzíveis em qualquer máquina.

Voltei para o Windows, os softwares crackeados e para me concentrar e terminar a faculdade.

Anos depois, meu trabalho me fez ter a necessidade de MAIS. Mais performance, mais memória, mais velocidade, mais liberdade e já nesta época eu me sentia adulta demais e séria demais para continuar instalando software pirata em minha máquina ou de pagar centenas de dólares por aplicativos que não teriam o desempenho que eu desejava numa máquina Windows.

E foi então que eu descobri o Ubuntu. Na minha opinião, a distribuição mais indicada para qualquer usuário leigo que queira se aventurar por este lado da força.

Uma ampla coleção de pacotes e drivers, um processo de instalação fácil e com alto nível de automatização e suporte abundante na Internet.

Assim como cada um tem suas necessidades e seus gostos, não considero o Ubuntu a distribuição perfeita, mas isso é o maravilhoso deste mundo Linux. Diversas possibilidades de customização e escolhas. E é por esta liberdade que hoje eu uso Xubuntu.

Fato é que há quase uma década eu me abstenho de outros sistemas operacionais. Atualmente, não tenho boot duplo, não tenho máquina virtual, não tenho mais um chiqueirinho para os outros sistemas operacionais.

Nas minhas máquinas só existe Linux.

Seguem abaixo alguns fatos e experiências, que me fazem extremamente satisfeita com a escolha.

  • Estou dentro da lei. Não existe um único software pirata em minha máquina.
  • Meu suporte técnico é a Internet e uma extensa comunidade de usuários que colaboram com a solução de problemas e desenvolvedores altamente capacitados.
  • Meu computador inicializa aproximadamente 3 vezes mais rápido com o Ubuntu do que com o Windows.
  • Foi surprendentemente fácil utilizar dispositivos periféricos:
    • Quando precisei utilizar pela primeira vez a impressora HP Photosmart C4280 no Ubuntu, eu já estava psicologicamente preparada para uma longa luta de  instalação da impressora no Linux. Para instalar esta impressora no Windows pela primeira vez eu havia demorado quase 40 minutos instalando os drivers de fábrica que vieram num CD junto com a impressora e realizando a atualização do mesmo via Internet. Ao final deste processo, uma janela popup sempre me avisava que o driver para esta impressora apresentava um problema já conhecido pela HP mas ainda não solucionado no Windows Vista. Enfim, se com o Windows havia sido assim, eu já imaginava muito trabalho para fazê-la funcionar no Ubuntu. MAS PASMEM, contra todas minhas expectativas, quando eu pluguei o cabo USB da impressora no meu notebook um retângulo popup apareceu no meu canto superior direito da tela simplesmente avisando que uma impressora da série C4200 havia sido detectada. E PRONTO! NADA! Eu não precisei gastar nem um minuto do meu precioso e escasso tempo realizando uma atividade idiota de instalação de impressora. Bastou plugar o cabo e teclar CTRL-P. O verdadeiro prazer do PnP (Play de Verdade!).
    • Experiência semelhante aconteceu com meus HDs externos, um de marca (OneTouch Mini da Maxtor) e um genérico chinês. Cabo USB conectado e PRONTO! Zero minutos de instalação de drivers. REALMENTE TORNANDO MINHA VIDA MAIS FÁCIL.
  • Ferramentas e mais ferramentas disponíveis e fáceis de utilizar.
    • Imprima (exporte) qualquer documento ou imagem para um arquivo PDF ou PS sem nenhuma dificuldade no Linux (não parece impressionante que no Windows você tenha que instalar aplicativos específicos para este propósito e que só recentemente esta opção se tornou disponível no pacote MSOffice ?! Eu não consigo viver sem essa função.)
    • Economize muito tempo e o nascimento de cabelos brancos com o Synaptic. Se você é um desenvolvedor, provavelmente estará constantemente instalando novas bibliotecas e APIs ou ferramentas de apoio ao desenvolvimento. Este tipo de atividade no Windows pode ser estafante. Você tem que encontrar a homepage da biblioteca, estudar como ela deve ser instalada e muitas vezes tem que compilá-la, gastando horas preciosas de desenvolvimento. Com o Synaptic (ferramenta de administração de aplicativos do Ubuntu), procure por sua biblioteca e você terá grandes chances de ela estar listada em um dos repositórios configureados, e apenas ordene que ele instale. Automaticamente o Synaptic informará as dependências e fará todo o trabalho por você!
  • Livre-se do antivírus!
    • Você já ficou de saco cheio do bendito antivírus que roda em background, monitorando e abrindo pop-ups de alerta toda vez que você navega por um site suspeito da internet ou vai abrir um arquivo executável? E os importantes segundos que ele te rouba na inicialização? Afinal sempre existem inúmeras atualizações de seu antivírus, e ainda sim ele algum dia vai deixar entrar um worm, um spyware ou um super vírus na sua máquina.
    • No Linux, a vulnerabilidade aos vírus é bem menor, chegando ao ponto de eu simplesmente não ter nenhum antivírus instalado.
Anúncios

Uma ideia sobre “Eu vou de Linux

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s