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Busca de Artigos sem a Necessidade de Entrar no Portal de Periódicos da Capes

A Capes agora exige que as instituições brasileiras de ensino e pesquisa façam buscas a bases de artigos científicos via seu Portal de Periódicos da CAPES.

Eu desconheço completamente os motivos que justificam essa obrigatoriedade (por favor comente se você souber), mas achei extremamente desconfortável tal mudança.

Segue então abaixo minha solução para o Firefox, que não resolve o problema, mas diminui meu desconforto.

1) Instalar a extensão Redirector:
https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/addon/redirector/

2) Clicar no ícone do Redirector-> Edit Redirects -> Create New Redirect

3) Adicionar o redirecionamento tal como imagem abaixo.

Redirector

O redirecionamento pode ser desabilitado a qualquer momento.

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Fortes indícios de que podemos desistir de ver um Brasil próspero e rico nos próximos 100 anos

A Califórnia, estado americano com 1/6 da população brasileira, onde se localiza o “Vale do Silício”, “caminha para superar o Brasil como sétima maior economia do mundo” (Exame.com, 16/01/2015).

Ciência e tecnologia: estes são os pontos fortes da Califórnia.

Não existe nenhum segredo: estes são os pontos de investimento estratégicos de qualquer país que deseja avançar economicamente no século 21 (taí a Coréia do Sul para não me deixar mentir).

Como um país que sobrevive de picos isolados de genialidade, obstinação e amor abnegado à ciência, a receita para a riqueza e prosperidade do Brasil parece ser óbvia: garantir ensino básico de excelência, ensino médio capacitante (não necessariamente profissionalizante) e fazer com que a roda virtuosa da ciência, inovação e empreendedorismo passe a girar.

Mas o que é óbvio para uns parece não ser tão óbvio assim para os gestores brasileiros e o ano de 2015  foi inaugurado com ares de “obscurantismo” dignos de “Idade das Trevas”.

O primeiro golpe foi a nomeação de um ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação que nega o aquecimento global (carta de 2010, endereçada a Márcio Santili, do Instituto Socioambiental (ISA), “A trapaça ambiental”).

Seguiu-se a notícia do atraso no pagamento de bolsistas da CAPES.

Na última semana, um reles deputado foi capaz de retirar de pauta um projeto referente à participação do Brasil no consórcio do European Southern Observatory.

Com tanta notícia ruim junta, eu deveria me alegrar com a notícia que, no ano internacional da luz, as obras do anel acelerador de elétrons Sirius foram iniciadas. Afinal, esta notícia carrega um valor emocional para mim. Há 15 anos atrás eu fazia minha iniciação científica no Laboratório Nacional de Luz Sincrotron e esta experiência foi determinante para eu estar defendendo meu doutorado na próxima segunda-feira.

Mas não dá para afastar o trauma de que “felicidade de pobre dura pouco”. No editorial “Ciência Brilhante”, destaca-se que para que as obras do Sirius fiquem prontas até 2018, será necessário um aporte anual de R$ 300 milhões, que poderia estar ameaçado pelos cortes de orçamento do governo federal.

R$ 300 milhões anuais para investimento em pesquisa da qualidade que se pratica no LNLS é dinheiro de bala. Quanto mesmo foi gasto nos estádios para a Copa do Mundo no Brasil?  Ahhh, foram R$ 7 bilhões de reais. Notem, não estou falando de estradas, portos, aeroportos. Estou falando apenas de gastos com estádios de futebol, aqueles mesmos que serão utilizados para jogos de futebol e mais o quê? Shows da Ivete Sangalo, Madonna, Paul McCartney, congressos religiosos… Confere produção? Mal sabem nossos gestores que o investimento em tecnologia talvez tivesse sido mais eficaz para ajudar nosso time a ser bem sucedido na copa, assim como confiaram os alemães.

Tudo isso somado, eu diria que existem fortes indícios que nosso país toma uma trajetória totalmente equivocada e que algumas conquistas obtidas num passado recente estão sendo suplantadas  por um grupo de gestores desinformados, arrogantes (já que não pedem opinião a ninguém), mal-intencionados (já que os interesses políticos são os que prevalecem acima do interesse da nação) e de visão tacanha.

Mas não são somentes nossos gestores que têm essa visão tacanha. Jovens à minha volta se vangloriam de terem viajado toda a Europa, Estados Unidos, Canadá ou Austrália durante o “Programa Ciência Sem Fronteiras”, sem terem trazido nada de concreto para o país e não terem ido lá fazer o que era esperado deles: estudar prá valer, honrar o dinheiro dos “meus impostos” e trazer algo de relevante para o país, nem que fosse uma visão mais aberta sobre a academia internacional e uma GANA de revolucionar esse país.

Nos falta objetividade. A mesma objetividade que faz o New York Times resumir em uma única manchete, os motivos da crise hídrica no sudeste brasileiro (“São Paulo Water Crisis Linked to Growth, Pollution and Deforastion”) e que para nós levou 11 meses, o parecer de uns 37 “especialistas” diferentes, umas 78 reportagens do Jornal Nacional, umas 27 reportagens do Fantástico, uns 120 cadernos especiais da Folha de S. Paulo e umas 530 denúncias de blogs,  para terminar com todo mundo olhando para os lados, com cara de confusão, tentando imaginar “ENGENHOCAS” (palavra da moda) para desviar água da calha para a privada. Enquanto isso, não se discute questões como o fato de que o Brasil, ao privilegiar a agroindústria e colocar boa parte de seus ovos nesse cesto, se torna um grande exportador de água.

Nenhuma surpresa já que somos o país do “não se discute”. Não se discute o que vamos fazer quando a água acabar. Não se discute futebol, política, religião. Não se discute, por exemplo, o aborto e os problemas do aborto que é realizado clandestinamente, porque aborto é “feio e bobo” (e eu provavelmente vou para o inferno por ter usado a palavra “aborto”  mais do que quatro vezes). Nas rodas de bar, ninguém gosta de discutir problemas sérios. Afinal, eles são sérios e ninguém quer sair “de mal” de ninguém.

Realmente não dá para deixar de concordar com Carlos Cardoso, sobre sua observação que no Brasil tudo dá para piorar. A piada é pronta e a punhalada no coração é certeira ao sabermos que Marcos Feliciano desarquivou sua proposta para tornar obrigatório o ensino do criacionismo na educação básica.

Por essas e outras observações, eu lanço minha hipótese: não veremos um Brasil próspero e rico nos próximos 100 anos. O que resta então? Nenhuma esperança. Apenas o amor abnegado à ciência. Me dedicar a fazer aquilo que qualquer planta faz, morrer deixando para trás o maior número de sementes possível.